Sobre o Chape e alguns aprendizados do jornalismo

Diante da notícia devastadora da queda do avião que transportava os jogadores e comissão técnica da Chapecoense, colegas jornalistas e tripulação, não encontrei um tema estratégico possível para hoje. Desde criança a busca por informações detalhadas, bem explicadas e em tempo real me encanta. E é em momentos como este, de consternação diante de tamanha tragédia, que essa busca incessante por mais evidências e explicações possíveis me faz lembrar das minhas convicções como jornalista e comunicadora. Não, a briga pela audiência não justifica uma manchete sensacionalista. E sim, o público sabe o que quer.

Explicitada essa posição pessoal, a história da cobertura sobre a Chape me fez relembrar meus tempos no jornalismo esportivo e um capítulo em especifico da minha jornada como parte da equipe de um dos mais importantes e certamente o mais tradicional veículo especializado em esportes do país. Eu estava na redação no dia 11 de setembro de 2001. Pouco se sabia ainda no início daquela tarde o que exatamente estava acontecendo e o que poderia ser noticiado, afinal, aquela era uma mídia focada em notícias do futebol, vôlei, basquete, tênis e outras tantas modalidades. Como publicar no online notas sobre a partida do Campeonato Brasileiro diante de tamanha perplexidade diante das cenas de horror nos EUA? A decisão foi buscar atletas brasileiros que estariam nas imediações de Nova York para que eles descrevessem um pouco daquilo que muitos foram capazes de ver das janelas de seus apartamentos ou nas ruas.

Ainda hoje, tenho dificuldades em lembrar tudo o que eu e meus colegas fizemos e escrevemos naquele dia. Foi uma verdadeira corrida contra o tempo, talvez uma maneira de tentarmos à nossa maneira absorver o sentido daquele capítulo nebuloso da história mundial. Não me recordo se a cobertura foi criticada, aplaudida ou se ao menos atingimos a meta de cliques. O fato é que anos depois, quando passei para o “outro lado do balcão”, como brincam os colegas jornalistas, e passei a trilhar uma carreira em comunicação corporativa e Relações Públicas, trouxe comigo lições importantes sobre a única contribuição que podemos realmente oferecer nesse papel de intermediários: informação precisa. Temos que entender a pauta do dia e calar se não há como contribuir. Planejamento estratégico algum supera os dados relevantes, os interesses do público final e, obviamente, a instantaneidade de um factual de tamanho impacto.

 

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