Como está sua comunicação para 2017?

“O ano passado passou tão apressado que foi um corre-corre danado”. Essa é mais ou menos a introdução de uma canção de Rita Lee que embalou minha trilha sonora na adolescência. Sempre achei graça desses poetas que brincam com rimas e métricas e no final passam sua mensagem com melodia e bom humor.

No caso da letra acima, sabe se lá que ano que a roqueira brasileira se referia, mas ela pode se enquadrar muito bem ao ano de 2016. Mas e aí? Como pensar em estratégias pessoais com o tempo passando tão rápido? E, se ampliarmos um pouco, o questionamento fica ainda mais causticante: como pensar em estratégias perenes para empresas, não interessando o porte ou a atuação?

Para completar esse caldo, adiciono nessa reflexão – as empresas que foram elencadas nos escândalos instaurados no País. Empresas que estudam inclusive mudar de nome por que foram execradas nacionalmente pelo modus operandi praticado nas esferas nacionais e estaduais, em negociações pra lá de suspeitas. Companhias que hoje elencadas como preferidas pelos funcionários, mas que fora do esquadro interno corporativo deixaram o nome ser levado por um mar de lama, que iniciou no interior de Minas Gerais e foi parar nas águas salgadas capixabas. E ainda agora, voltam a ser lembradas por conta da “epidemia” de febre amarela instalada na região e que especialistas estão relacionando como consequências ao flagelo sofrido pelo meio ambiente após o rompimento da barragem em Mariana.

Como uma empresa pensa em uma estratégia de comunicação 360o em um período que escândalos financeiros e ecológicos, propinodutos e delações premiadas são as grandes estrelas dos canais de comunicação do Brasil e até reverbera pela imprensa dos principais países do mundo? Brasília, aliás, também vive sendo manchete com a briga pela legitimidade do poder.

Não existe uma resposta pronta. Comunicação Corporativa é o tema central e por onde devem passar todas as estratégias de comunicação 360 o. Não basta buscar um espaço relevante e gratuito na imprensa. Precisa ter um discurso engajador e transformar o cliente num porta-voz da empresa. O cliente precisa ser fã para se transformar num embaixador da marca. Mas não se iluda, o cliente é importante não interessa o nível de contato que a empresa tenha com ele.

Mas tão importante quanto o cliente são as ações de comunicação que a empresa desenvolve também da porta para dentro. Isso, a comunicação com os empregados, funcionários, colaboradores é imprescindível para o sucesso corporativo. Há uma boa explicação para uma empresa querer ser listada como melhor lugar para trabalhar e divulgar isso depois de um período difícil na comunicação. O público interno precisa ter ciência, em primeira mão, dos fatos relevantes da empresa. Ele precisa estar informado das mudanças e das principais questões que envolvam a companhia, e isso precisa ser comunicado diretamente. Ele não pode ser informado pelo jornal das mudanças ocorridas na empresa onde trabalha.

Compliance, Governança Corporativa e Reputação são palavras que hoje estão no consciente coletivo da maioria das empresas e precisam ser trabalhadas com atenção, cuidado e transparência. Não podemos restringir a comunicação da empresa em um trabalho focado no relacionamento entre empresa e veículos de comunicação.

O discurso precisa ser de dentro para fora! A comunicação precisa integrar departamentos para ganhar coesão. Não adianta falar uma coisa para a comunicação e praticar outra coisa entre os parceiros/colaboradores. Além da coesão, o discurso precisa ter adeptos e agregar o público interno. Quando a comunicação começa com o público interno, ela se torna mais eficaz, pois ganha legitimação, conseguindo assim alcançar o público externo. As empresas precisam agregar o público interno na comunicação corporativa e só se consegue fazer isso com ações criativas, inteligentes e bem preparadas. A comunicação interna das empresas deve ser elencada também como uma estratégia de negócios. A sinergia de todas as áreas da empresa faz da comunicação interna um agente atuante também na comunicação externa, inclusive com a imprensa e com o público em geral.

A maior exigência agora é que as empresas sejam transparentes em seu modo de comunicar e que habilitem seus colaboradores, funcionários e parceiros como embaixadores da marca no mercado.

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