José, Victor e Relações Públicas de imagem

José e Victor são dois nomes que não param de latejar na minha cabeça há alguns dias. Foram muitas as conversas com amigos, colegas de profissão, desconhecidos que se tornaram conhecidos na fila do supermercado, a simpática atendente que, sem perder o ritmo na hora de passar os produtos, dizia não gostar de trabalhar no turno da noite por causa dos “boyzinhos” que frequentam o estabelecimento nas madrugadas da Vila Madalena, ela me disse sem deixar o sorriso sumir…

Como profissional de comunicação e mulher, eu confesso que senti uma ânsia imensa por entender quais eram os reais impactos dos atos dessas figuras públicas aos olhos de gente como a gente. A mea culpa não parecia convencer a ninguém, mas também a maioria dos meus interlocutores ainda preferia dar o benefício da dúvida aos envolvidos nas histórias que acabaram se cruzando.

E eis que nesta terça-feira surgiram novos capítulos, novas nuances do tal outro lado da história. E se a única grande certeza já girava em torno do que chamamos em Relações Públicas de crise de imagem, agora Victor e José terão que lidar com o problema elevado à mais alta potência. Pior do que errar, é ser obrigado rever o discurso depois do comunicado já feito, lido, aprovado e propagado aos quatro ventos. Contra fatos não há argumentos válidos que tentem maquiar a verdade ou distorcer o discurso do acusador.

E esse é o ponto central dessa minha reflexão: o julgamento popular pode levar uma marca do céu ao inferno com alguns compartilhamentos e outros tantos likes. Não adianta tentar colocar panos quentes. Em plena Era digital, seja Pessoa Jurídica, Pessoa Física ou Pessoa Pública, todos têm o mesmo poder de expor suas convicções.

Não acredito em vitórias quando a crise se estabelece, mas consigo vislumbrar boas oportunidades de rever processos, conceitos, atitudes e de mostrar que outros valores não estão perdidos – como a honestidade e a capacidade de se transformar para melhor. Isso pode não evitar as críticas, mas é a única alternativa viável para um caminho possível de reconstrução.

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