O dinheiro da publicidade, a onipresença do Online e as transformações da comunicação

Existem números, análises e previsões de que a mídia impressa está ruindo, e de que a transformação causada pela ascensão da tecnologia online transforma o modo como comunicamos. Porém, o fato é que toda a indústria da comunicação está mudando, não somente a mídia impressa. Para comprovar isso, a minha análise a seguir vai se basear única e exclusivamente no conselho dado pelo Garganta Profunda aos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein: siga o dinheiro.

Para qual mídia está indo o dinheiro da publicidade

No Reino Unido, já em 2009, a receita da publicidade online ultrapassou a da TV. Na época, os britânicos foram a primeira economia de ponta a gastar mais com anúncios da web do que os da TV. Nos EUA, isso aconteceu recentemente, no ano passado. Porém, existe um fato determinante que diferencia a receita online da terra da Rainha e do Tio Sam. Em 2009, a publicidade online foi somente de anúncios em páginas de conteúdo web. Já no ano passado, a maior receita não veio de sites que fazem conteúdo online, mas sim de mídias sociais e publicidade de vídeos online de sites como o youtube.

Publicitários querem se fazer criativos e inovadores, mas eles realmente são criaturas simples: eles querem os seus anúncios vistos pela maior quantidade de pessoas o possível. Eles possuem diversas pesquisas que monitoram isso. E, se o dinheiro da publicidade falasse, ele berraria que o público hoje está, em sua maioria, na frente de uma tela de celular, e não da TV.

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No gráfico acima vemos que, apesar de a publicidade online ser a campeã, mídias como TV, jornal, revista e, até mesmo, rádio ainda se fazem presentes, mesmo sem a mesma força. Não faz sentido, então, menosprezar essas mídias. Porém, a influência da tecnologia online impregna todas as outras mídias. A imagem da pessoa deitada no sofá com o controle remoto na mão, ou lendo o jornal no café da manhã, não existe mais. Substitua isso por alguém que olha o celular a cada 10 minutos.

Online onipresente

Vou usar uma pesquisa do Google que analisa como as plataformas digitais mudaram a maneira como as pessoas assistem televisão para ilustrar a importância do online para outras mídias: “Digital platforms are changing the way today’s viewer experiences television. From sharing the new viral Jimmy Kimmel Live video to watching the promo for the premiere of The Walking Dead to searching for the actor who plays the funny cop on Brooklyn Nine-Nine, one thing is clear: There are more ways than ever for TV audiences to research, participate in and access television content.”

Essa pesquisa é muito elucidadora e vale a pena ler com atenção: ela mostra como as pessoas estão pesquisando online antes de decidirem assistir alguma coisa, como a interação entre pessoas em mídias sociais é importante para um programa de tv e como criar conteúdo online extra é uma importante forma de estender o tempo de Ibope de um programa.

Aplique isso a todas as outras mídias e você tem o cenário da indústria da comunicação hoje. O agente comunicador que não pensar em uma estratégia ampla que envolva as características do mundo online vai ficar obsoleto e redundante.

Assessoria de Imprensa X Agência de Comunicação

No mesmo compasso, a imagem do assessor de imprensa que só produz e solta press releases é tão obsoleta quanto o da pessoa estirada no sofá com o controle remoto. Mesmo que os boatos da morte das mídias tradicionais tenham sido exagerados,  aquele profissional que não se adaptou às novas demandas do mercado não só está morto como também já foi enterrado.

Apesar de o assessor de imprensa ainda continuar sendo a ponte entre o seu cliente e a imprensa, houve uma transformação de como nos comunicamos e uma agência tem que oferecer muito mais para continuar competitiva nessa indústria. Hoje, engajar o público, produzir conteúdos, organizar eventos com formadores de opinião (que hoje não se encontra necessariamente dentro de redações, mas sim em blogs e fóruns) e monitorar mídias sociais fazem parte obrigatória no desenvolvimento de campanha.

Uma vez escutei que existem três setores que nunca entrarão em crise, pois são fundamentais para a existência humana: comida, bebida e informação. Segundo essa máxima, as pessoas precisam de notícias como precisam de água. Uma pesquisa da Cetic.br mostra que no Brasil já existem 80,9 milhões de pessoas conectadas, sedentas por informação. Precisamos, então, saciá-las. Hoje, pela carência e falta de visão de algumas pessoas do mercado, a agência que consegue fornecer um conteúdo de comunicação integrada pode vender seus serviços como se fossem água no deserto. Duvida? Então, siga o dinheiro.

Rodrigo Boro é MA em Fotografia pela University for the Creative Arts (Inglaterra) e jornalista formado pela PUC-SP em 2004. Na Digital Trix, faz parte da equipe de Assessoria de Imprensa e Produção de Conteúdo.

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